Para os meus queridos visitantes deste meu universo,
Dedico esta mensagem às pessoas que acompanharam o início do Projeto Literário Paraibano, aos que entraram no meio do caminho e aos que vão começar agora a acompanhar estes universos. Sempre fui uma pessoa que teve bastante interesse pela Literatura Brasileira Contemporânea, não apenas na versão canônica pós-anos 60, mas sim naquela que surge a partir de 2016 com autores independentes e de pequenas editoras.
Criei o meu perfil apenas por um desejo de falar sobre livros, mas nunca pensei que iria instigar a minha imaginação para a criação de projetos de incentivo deste nível, que começou com autores do eixo Rio-São Paulo e hoje está focado na literatura paraibana. Contudo, os meus próximos projetos terão uma mistura de ambos, com foco também na Região Norte e em outros estados do Nordeste.
No menu acima do texto, vocês podem perceber que separei todos estes universos em uma sequência cronológica. No início, era uma brincadeira; não pensava nas questões críticas que poderiam ser trabalhadas neste patamar tão primoroso e complexo que é a Literatura Paraibana Contemporânea. As três primeiras temporadas foram a minha adaptação a este mercado; ainda estava me apresentando para as pessoas, o que gerava uma certa estranheza — mesmo que ainda hoje as pessoas não entendam muito bem o que de fato é este projeto literário.
Cada temporada tem sua temática, exceto pela primeira, que não tem exatamente uma temática. Eu não iria trazer uma Paraíba seca, miserável, cheia de cactos, chapéus de couro, sol escaldante e apenas um espaço construído pelo estereótipo. Não! Cada temporada tem sua energia de um olhar paraibano extremamente jovem, baseado em uma dinâmica entre o real e o literário: os autores são peças neste universo. A primeira temporada se constitui como um mistério, um segredo que cada um guarda; a segunda tem um caráter investigativo; a terceira tem um componente mais sobrenatural; a quarta tem um objetivo longe do sertão, trazendo uma Paraíba urbanizada e distópica; e a quinta traz a contemporaneidade feminina com as raízes do passado sob este Jardim que é extremamente frutífero.
Ao longo do projeto, fui trazendo referências a filmes, músicas, movimentos literários, artistas e lugares que constroem este Estado tão grande, tão bonito e tão rico em cultura. A Paraíba tem 223 municípios; quantas pessoas escrevem nestes municípios que nem sequer conhecemos e que podem nos surpreender com novos horizontes nesta ação decolonial, trazendo fonética, cotidiano, tradições da cultura popular etc.? Eu tento andar por esta Paraíba pegando de Sousa, Patos, Boa Vista, Serra Redonda, Itabaiana até as grandes metrópoles, mas ainda é insuficiente, pois tenho certeza de que há muitos artistas escondidos.
João Pessoa não pode ser o único grande pódio da literatura paraibana, como traz a crítica de Bruno Gaudêncio em seu episódio. Quando acabo descobrindo autores jovens longe das grandes cidades, percebo como ainda precisamos aumentar nosso repertório. Autores famosos, premiados, que estão dentro das academias, já estão com seus nomes conhecidos para aquele grupo; em qualquer lançamento, terão oportunidades de mídia, leitores interessados e um público esperando. Quando converso com estes autores novos, vejo que o olhar deles é o de quem se sente excluído muitas vezes e deseja ter mais espaço. Tentei nestes três anos, a partir desta minha visão de sair um pouco da grande capital, visualizar esta literatura em movimento, principalmente de artistas mais velhos e mais jovens nas pequenas cidades.
Maria Valéria Rezende, na entrevista que fiz com ela para a quinta temporada, fala sobre isso:
"Precisamos que o povo produza. Todo mundo é artista. Todo mundo nasceu pra ser artista. O capitalismo é que não quer que todo mundo seja artista porque, pela lei da oferta e da procura, a obra de arte não pode ser mercadoria. Então proíbem."
Produzir é para todos e precisamos estar abertos a ouvir, a ler e a conhecer (construindo caminhos para serem achados). Já que o Projeto Literário Paraibano é um projeto de jovens para jovens, o público-alvo é pessoas de 20 a 34 anos que escutam os episódios.
Finalizar o Projeto Literário Paraibano agora é necessário por causa da universidade e da minha vida pessoal, mas continuarei esta linha com o meu Clube do Livro, a partir de fevereiro de 2027. Posso voltar? Tenho planos, mas preciso apresentar ideias e construções mais profissionais para os futuros projetos paraibanos. Então pode ou não acontecer! Torcemos para que aconteça!
Agradeço a todos os autores que toparam estar comigo nestes três anos; vocês me salvaram várias vezes nos meus tormentos cotidianos. Me ajudaram a construir pontes para outros lugares. E tenho certeza de que hão de me salvar várias outras vezes. Estes conteúdos, espero eu, nunca serão esquecidos por mim. Sempre que precisar, estarei ouvindo e reouvindo as inspirações, trajetos e novas perspectivas das temáticas que carregam para além da visão paraibana que muitos possuem, principalmente dos que leram esta literatura paraibana apenas no viés dos autores canônicos do modernismo: o que não julgo, mas sei que não se resume apenas a isto! Vão por mim, embarquem em Chica Barrosa, Maria Valéria Rezende, Bruno Ribeiro, Lilian Himawino, Daniel Rodas, Ana Apolinário, Patrícia Rosas etc. Vão me agradecer depois.
Desejo excelentes leituras para todos. Esperem muitas resenhas no próximo ano e participem do meu clube do livro; as inscrições começam em janeiro de 2027.
Um grande abraço,
Marcos Ramos, criador do Projeto Literário Paraibano